A sobrinha de Ana Rosa Pereira da Silva, de 32 anos, se emocionou ao falar com o Portal Catve sobre a tia, primeira vítima de feminicídio em 2026 em Cascavel, no Paraná. O crime aconteceu na Rua Serra de Santana, e Ana foi sepultada na quinta-feira (5), no Cemitério Jardim da Saudade.
"Pessoa alegre, é até difícil de falar, mas era bem divertida, se dava com todo mundo, ajudava todo mundo", contou a sobrinha. "Todo mundo sabe que ela era uma pessoa boa, não merecia o que fizeram com ela."
Ana morava em Cascavel há sete anos e deixou o filho Deived Rian, de 15 anos, que vive no Maranhão. Segundo a sobrinha, Ana já demonstrava medo do companheiro, de 48 anos, que confessou o homicídio. "Ela sempre tinha aquele receio porque ele já tinha matado uma pessoa. Ela dizia que ele nunca ia fazer nada, mas ele acabou fazendo coisa pior", disse.
A sobrinha relatou que, segundo amigas de Ana, ela chegou a ficar presa dentro de casa porque o companheiro trancava o portão com vários cadeados. Ela precisou pular o muro para escapar. "Ele afastou ela de todo mundo, da família, dos amigos. Agora é justiça. Ele tem que pagar pelo que fez, não só por ela, mas pela outra pessoa também", afirmou.
O delegado Fabiano Moza explicou que, durante o interrogatório, o autor do crime comentou sobre a morte de sua esposa anterior, ocorrida por volta de 2000, mas que ele foi absolvido. "Porém ele alega que foi absolvido porque foi acidente. É um procedimento antigo. Vamos verificar ainda se essa ocorrência procede", disse.
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A sobrinha de Ana destacou também que o filho da vítima ainda pode não estar sabendo do crime. "Hoje minha tia ia lá na casa deles. Eles querem que ele pague todos os direitos dela. Nos sete anos que ela trabalhou com ele, não teve emprego fixo em outro lugar. Ele sabia que ela tinha filho e a afastou de todos, da família e dos amigos."
Ana Rosa foi atingida por quatro tiros enquanto estava dentro de uma caminhonete durante uma discussão com o companheiro. Os disparos atingiram o abdômen e o tórax da vítima, que foi empurrada para fora do veículo. O autor, que possui registro de armas como CAC (Caçador, Atirador e Colecionador), não poderia portar armamento no momento do crime.
Fonte: CATVE
Imagem: Reprodução

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