Cinquenta dias após o sumiço de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, a investigação segue sem desfecho. Relembre o caso abaixo.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, mas ainda enfrenta uma série de barreiras que impedem o avanço do caso, mesmo com um único suspeito. O policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, está preso temporariamente desde 10 de fevereiro.
Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém "efetiva colaboração com as autoridades" e que "irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus".
Mesmo com um suspeito preso e diversas frentes de investigação em andamento, o caso avança lentamente por depender de laudos, dados sigilosos, buscas extensas e um volume grande de análise técnica.
O g1 lista alguns dos fatores que dificultam o esclarecimento policial do que aconteceu entre os dias 24 e 25 de janeiro, quando a família foi vista pela última vez. Confira:
1. Falta dos corpos
Apesar de a polícia trabalhar praticamente sem expectativa de encontrar as vítimas com vida, a ausência dos corpos limita a conclusão de pontos-chave da investigação. Silvana, inclusive, integra a lista oficial de vítimas de feminicídio no RS em 2026.
Sem localizar a família, os investigadores não conseguem:
Determinar oficialmente a causa das mortes;
Identificar como os crimes teriam ocorrido;
Confirmar se houve participação de outras pessoas.
A ocultação dos corpos, que faz parte da principal linha investigativa, impede que os peritos estabeleçam a dinâmica do caso com precisão.
2. Suspeito em silêncio e acesso a provas
Cristiano Domingues Francisco optou por exercer o direito de não responder às perguntas da polícia.
Além disso, ele e a atual companheira não forneceram as senhas dos celulares, o que dificultou com que os agentes acessassem conversas, dados de localização e fotos ou registros que possam indicar deslocamentos na noite do desaparecimento.
3. Veículo visto em câmeras
Um carro vermelho modelo Fox aparece entrando na casa de Silvana duas vezes na noite do desaparecimento da mulher.
No entanto, as imagens não permitem a leitura da placa, o que levou a polícia a iniciar uma busca entre os mais de 6 mil veículos iguais registrados no Rio Grande do Sul.
A checagem individual desses automóveis é demorada e consome parte da força de trabalho da investigação.
4. Laudos do IGP
A polícia aguarda análises complexas do Instituto-Geral de Perícias sobre:
sangue humano;
material genético;
e vestígios coletados na casa da família.
O IGP informou que não há prazo para entrega dos resultados.
Com isso, partes da investigação seguem paralisadas à espera de confirmação.
5. Possível ocultação de provas
Investigadores descobriram que parentes de Cristiano compraram novos celulares após a prisão do policial.
O objetivo agora é localizar os aparelhos antigos e entender se houve troca de mensagens entre familiares e se alguém pode ter ajudado na eliminação de provas ou até na ocultação dos corpos.
Essa linha de investigação amplia o escopo do caso e exige análise sobre possível participação de terceiros.
6. Informações financeiras
Embora a polícia já saiba que nenhuma movimentação ocorreu nas contas das vítimas após o desaparecimento, ainda faltam dados de aplicações financeiras diversas.
Para o delegado Anderson Spier, esses informes são essenciais para avaliar se uma motivação financeira pode ter influenciado o crime.
7. Falhas ou manipulação nas câmeras
Câmeras da residência de Silvana podem ter tido o acesso local removido ou até as imagens apagadas.
A polícia aguarda um laudo técnico do fabricante para descobrir se os arquivos foram enviados à nuvem, há cópias de segurança ou se é possível recuperar parte do conteúdo.
Esses vídeos podem ser decisivos para identificar quem dirigia o carro vermelho ou o que ocorreu dentro da casa na noite de 24 de janeiro.
Fonte: G1
Karoline
Divulgação/PCRS

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