O advogado da família do soldado Ariel Julio Rubenich, o Dr. Luciano Katarinhuk que atua como assistente de acusação, falou nesta quarta-feira (13) sobre as atualizações do caso.
Edson Ferreira da Cruz irá à júri popular, tendo em vista que a juíza reconheceu o dolo eventual.
"A juíza entendeu que não foi um mero acidente de trânsito, a forma pela qual Edson conduziu o veículo a mais de 190 km/h atravessando preferenciais, dirigindo na contramão, avançando sinais vermelhos [...] e principalmente jogando o veículo contra os veículos policiais", detalha Katarinhuk, que ainda relembra que o réu, Edson, ameaçou de "passar em cima" dos policiais durante a perseguição.
O dolo eventual é o entendimento aplicado quando a pessoa assume o risco de causar a morte.
"Esperamos que o júri ocorra o mais rápido possível, buscaremos a responsabilização do Edson no grau máximo da pena", afirma o advogado da família.
O réu continuará preso preventivamente até o julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo o processo, após o trânsito em julgado da pronúncia, o caso será encaminhado para a Vara do Júri, que ficará responsável por definir a data do julgamento popular.
O soldado Ariel Julio Rubenich tinha 34 anos quando morreu durante o atendimento da ocorrência policial em Cascavel. O policial militar morreu em novembro de 2025, durante uma perseguição policial na cidade.
DECISÃO
A Justiça de Cascavel decidiu levar a júri popular Edson Ferreira da Cruz, acusado pela morte do policial militar Ariel Julio Rubenich durante uma perseguição policial registrada em novembro de 2025.
A decisão de pronúncia foi assinada pela juíza da 1ª Vara Criminal e Tribunal do Júri de Cascavel, Raquel Fratantonio Perini, nesta terça-feira (12). O magistrado entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná, Edson conduzia um VW Passat em alta velocidade, sob efeito de cocaína, sem habilitação e realizando manobras perigosas para fugir de equipes policiais. Durante o acompanhamento tático, o soldado Ariel Rubenich sofreu um acidente com a motocicleta policial e morreu.
Na decisão, a juíza destacou que há elementos indicando que o acusado assumiu o risco de provocar o resultado morte, caracterizando, em tese, dolo eventual. Entre os fatores considerados estão o excesso de velocidade, avanço de semáforos, direção na contramão e manobras descritas por testemunhas como tentativas de "jogar o carro" contra motocicletas policiais.
O réu foi pronunciado por homicídio qualificado por meio que resultou em perigo comum, para assegurar a impunidade de outro crime e contra agente de segurança pública no exercício da função. A qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima foi afastada pela magistrada.
Edson Ferreira da Cruz também responderá pelo crime de resistência. A prisão preventiva foi mantida, e a Justiça negou ao acusado o direito de recorrer em liberdade.
Durante o processo, policiais militares relataram que a perseguição ocorreu por diversas ruas da cidade, incluindo trechos em contramão e velocidades superiores a 190 km/h. Testemunhas afirmaram que o veículo realizava manobras bruscas e colocava motoristas e pedestres em risco.
Em interrogatório, Edson admitiu ter usado cocaína antes da fuga, mas afirmou que acelerou o carro por medo, alegando ter sido surpreendido por policiais armados. Ele negou ter percebido a aproximação das motocicletas no momento do acidente.
Fonte: Catve
Karoline
Foto: Divulgaçao

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