Discussão termina em morte e advogado é apontado como autor do crime

Foto: Divulgação/ Grupo Angelus

Um homem morreu ao ser esfaqueado pelo próprio advogado na noite de terça-feira (19), em Maringá, no Norte do Paraná. A vítima foi identificada como Nelson de Souza Pedro, de 48 anos.

Segundo a Polícia Militar (PM-PR), testemunhas disseram que Nelson e o advogado Rodrigo Gawlinsk, de 32 anos, estavam usando drogas e acabaram se desentendendo. Durante a briga, Rodrigo pegou uma faca e golpeou o cliente.

A filha de Nelson foi quem o encontrou ferido e acionou as autoridades.

Durante a prisão, o advogado passou mal e precisou ser levado a um hospital, onde permanece internado sob escolta. Segundo a polícia, ele ainda não prestou depoimento, mas foi autuado em flagrante.

A PM informou que Nelson tinha passagens por ameaça e violência doméstica. As testemunhas disseram à polícia que ele havia contratado Rodrigo para defendê-lo em um dos processos judiciais, mas, desde abril, os dois passaram a ter contato frequente. A família da vítima relatou à polícia que era comum que ambos consumissem drogas durante as visitas.

"Segundo relato das testemunhas, os dois indivíduos são amigos, frequentemente fazem uso de álcool e drogas no apartamento. Nessa situação, em específico, houve esse consumo de certas substâncias, e, em algum momento, se desentenderam, e o indivíduo que estava de visita acabou agredindo o outro e desferiu algumas facadas contra ele", relatou o aspirante Thiago Momesso.

De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Nelson foi atingido no rosto, no tórax e no abdômen. A morte dele foi constatada no local do crime.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Maringá.

Como o crime aconteceu
A filha de Nelson estava com a mãe — que é ex-companheira dele — em um quarto do mesmo imóvel onde o crime aconteceu. Ela ouviu a briga, foi verificar o que acontecia e encontrou o pai ferido.

Na tentativa de parar as agressões, uma delas golpeou Rodrigo com uma panela, mas não conseguiu retirá-lo de cima da vítima. Em seguida, segundo a polícia, o advogado partiu em direção à filha de Nelson, mas ela conseguiu fugir para pedir ajuda.

Quando a polícia chegou ao imóvel, encontrou Rodrigo inconsciente, caído sobre Nelson. Logo depois, o advogado acordou e agrediu a vítima novamente.

"Em determinado momento, o autor retomou a consciência e, repentinamente, desferiu ainda um chute contra ele [...]. Segundo relato da outra equipe de apoio, o suspeito passou a desobedecer às ordens emanadas pela equipe policial, oferecendo intensa resistência à abordagem, evoluindo para luta corporal contra os policiais, sendo necessária sua contenção física e uso de algemas", informou a PM.

Enquanto era levado para a delegacia, Rodrigo passou mal e teve de ser socorrido pelo Samu. Ele foi encaminhado a um hospital de Maringá, onde permanece internado sob escolta.

O local do crime foi periciado pela Polícia Científica.

O que diz a OAB?
"A OAB Subseção de Maringá, por intermédio de sua Presidência, Diretoria de Prerrogativas e Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais, vem a público manifestar-se acerca dos graves fatos ocorridos na noite do dia 19 de maio de 2026, envolvendo um advogado inscrito nesta Subseção.

A Subseção manifesta seu profundo pesar pelo falecimento registrado no episódio e se solidariza com os familiares neste momento de dor.

Tão logo tomou conhecimento do ocorrido, a OAB Maringá passou a diligenciar junto às autoridades competentes, incluindo a Polícia Militar, a Polícia Civil e a equipe médica responsável pelo atendimento do advogado, com o objetivo de colher informações precisas e oficiais sobre as circunstâncias do caso.

Também foi nomeado grupo de trabalho específico para acompanhar o caso junto às autoridades de segurança, inclusive no âmbito do inquérito policial instaurado para apuração dos fatos.

Nesta data, a OAB Maringá já iniciou o acompanhamento das oitivas de testemunhas que estão sendo colhidas pela autoridade policial, mantendo atuação institucional permanente, responsável e atenta ao regular andamento das investigações.

A Subseção seguirá acompanhando todos os atos oficiais relacionados ao caso, no exercício de sua função institucional, assegurando a observância das garantias legais e constitucionais aplicáveis, bem como o respeito às prerrogativas profissionais, sem prejuízo da necessária e rigorosa apuração dos fatos e da adoção de todas as providências cabíveis pelas autoridades competentes."


Fonte: G1