O Paraná deve encerrar o ciclo 2025/26 com uma produção de 47,3 milhões de toneladas de grãos. A projeção consta no boletim de julho do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Apesar do volume expressivo, o resultado não deve representar um recorde histórico para o estado. O desempenho abaixo do esperado na segunda safra e nas culturas de inverno limitou o potencial produtivo do ciclo.
Ainda assim, a produção mantém o Paraná em um patamar elevado e tende a gerar reflexos em diferentes segmentos da economia estadual. Uma safra desse tamanho movimenta atividades como transporte, armazenagem, comércio e exportações, além de contribuir para o fluxo de caixa dos produtores.
Para o chefe do Deral, Marcelo Garrido, os números mostram a capacidade de reação da agricultura paranaense diante das adversidades meteorológicas.
“O volume projetado mantém o Paraná em um patamar de alta produtividade. O clima adverso trouxe perdas pontuais no milho, mas o excelente desenvolvimento do trigo equilibra o cenário e reforça o vigor da nossa agricultura para o fechamento deste ciclo”, afirma.
Soja supera ciclo anterior
A soja permanece como a principal cultura da safra de verão paranaense. Mesmo com redução de 1% na área plantada, estimada em 5,735 milhões de hectares, a produção deve crescer 3% em relação ao ciclo 2024/25.
A expectativa é de uma colheita de aproximadamente 21,8 milhões de toneladas.
O cenário é diferente para o milho segunda safra. O período de tempo seco e as geadas registradas principalmente nas regiões Sul e Oeste afetaram as lavouras e provocaram uma revisão para baixo na estimativa.
Inicialmente, eram esperadas 17,8 milhões de toneladas. Agora, o Deral trabalha com uma projeção de 17,05 milhões de toneladas, queda de aproximadamente 4% em relação à previsão inicial.
Trigo tem melhor condição das lavouras em uma década
No trigo, o cenário chama atenção pelo contraste entre redução da produção e boas condições das plantas.
O Paraná encerrou o plantio com 727,5 mil hectares destinados ao cereal, retração de 11%. Com a menor área, a estimativa de produção caiu 18% em comparação com a safra anterior, passando de 2,88 milhões para aproximadamente 2,38 milhões de toneladas.
Apesar disso, 97% das lavouras estão classificadas em boas condições, o melhor resultado registrado na última década.
O desenvolvimento positivo, porém, não elimina os riscos para os próximos meses. O cenário exige acompanhamento das condições meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de um El Niño de forte intensidade. Até agora, o excesso de precipitação provocou apenas problemas pontuais de manejo no Sudoeste paranaense.
Milho e trigo ficam mais caros
A instabilidade da oferta também teve reflexos sobre os preços pagos aos produtores em julho.
A saca de 60 quilos de milho apresentou valorização mensal de 2,59%, passando de R$ 51,33 para R$ 52,66, aumento de R$ 1,33.
O trigo avançou 1,70% no período. A saca passou de R$ 69,87 para R$ 71,05, mantendo a recuperação observada após as mínimas registradas no primeiro trimestre.
Deral alerta produtores para riscos em agosto
Para o restante de agosto, a recomendação é de atenção diante da alternância entre períodos de chuva e mudanças bruscas de temperatura.
Nas áreas de milho que já atingiram o ponto de colheita, a orientação é aproveitar as janelas de tempo firme para acelerar os trabalhos. A permanência prolongada dos grãos no campo sob condições de elevada umidade aumenta o risco de fungos, perda de qualidade comercial e tombamento das plantas.
No trigo, a preocupação se concentra no manejo fitossanitário. A combinação de umidade e temperaturas mais altas favorece a ocorrência de doenças fúngicas, exigindo monitoramento constante das lavouras e aproveitamento dos períodos secos para a realização dos tratamentos necessários.
Fonte: Canal Rural
Karoline
Foto: divulgação/Secretaria da Agricultura e do Abastecimento

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