O número de registros de estelionato no Brasil cresceu mais de 400% entre 2018 e 2025. Somente no ano passado, foram mais de 2 milhões de ocorrências, aumento de 13,6% em relação a 2024. Os dados fazem parte da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo o levantamento, foram registrados cerca de 258 golpes por hora em 2025. O estelionato também aparece como o crime patrimonial que mais causa medo entre os brasileiros: mais de 83% da população tem receio de ser vítima de uma fraude pela internet ou pelo celular.
O levantamento reúne tanto os golpes tradicionais quanto os praticados no ambiente digital. Entre os casos estão clonagem ou troca de cartão de crédito, golpe do WhatsApp, golpe do Pix, golpe do CPF, falso leilão ou loja falsa e falsa central de atendimento bancário.
Para a Polícia Civil, a migração dos golpes para a internet dificulta a identificação dos responsáveis. Enquanto as cidades passaram a contar com mais câmeras de segurança, os crimes virtuais podem ser praticados à distância e com maior dificuldade de rastreamento.
"O crescimento exponencial ocorre justamente porque os golpistas têm entendido que o ambiente virtual para eles é mais seguro", explicou o delegado de Polícia Civil.
O Paraná aparece entre os estados com maior número de registros, com mais de 1,3 milhão de casos. Em Cascavel, são registrados diariamente pelo menos 30 golpes na delegacia especializada, segundo dados apresentados durante a reportagem. O número não inclui as denúncias que não chegam a ser formalizadas.
Mais de 20% dos registros em Cascavel têm pessoas idosas como vítimas. O público também é considerado um dos mais vulneráveis aos golpes, principalmente quando os criminosos usam familiares, profissionais conhecidos ou situações de emergência para convencer as vítimas.
Entre as estratégias estão mensagens de falsos parentes, pedidos urgentes de dinheiro e golpes que envolvem profissionais como advogados, gerentes e contadores.
O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa acompanha casos desse tipo e alerta que muitas vítimas deixam de denunciar por vergonha. Também existem situações em que os golpes financeiros acontecem dentro da própria família.
Outro problema é a dificuldade para recuperar o dinheiro depois que a fraude acontece. Apesar da existência de ferramentas do Banco Central que podem ajudar no bloqueio e na devolução de valores, a prevenção ainda é considerada a principal forma de evitar prejuízos.
A orientação da Polícia Civil é desconfiar de contatos que criam sensação de urgência, medo ou pressão. O criminoso tenta impedir que a vítima desligue o telefone ou procure outra pessoa para confirmar a informação.
"Ele vai explorar o sentimento de pressa, de urgência, de medo. Então, sempre desconfie desse ambiente de urgência", orientou o delegado.
Fonte: Catve
Karoline
Foto: Catve

0 Comentários