O caso de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, encontrada amordaçada e acorrentada após passar cinco dias desaparecida, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, ganhou repercussão na imprensa internacional. O ex-marido dela, Ailton Rodrigues, foi preso em flagrante após confessar ter dopado a jovem e a levado até o cativeiro, segundo a Polícia Civil.
A história foi noticiada por veículos de diferentes países, como o New York Post, dos Estados Unidos; Daily Star, do Reino Unido; Al Araby TV, do Catar; Zamin.uz, do Uzbequistão; e PerthNow, da Austrália.
As imagens do resgate da jovem, registradas no momento em que os policiais entram na casa e a encontram amarrada e chorando sobre a cama, estão entre os principais destaques das reportagens. Os veículos também ressaltaram que Emiliane Tamara estava presa com correntes, cordas e algemas, além de ter o rosto coberto por uma máscara que dificultava sua respiração.
No New Tork Post, o caso está entre as mais lidas na categoria de "notícias do mundo" (veja abaixo).
Em nota, o advogado Ilvan Barbosa, que defende o suspeito, informou que "o inquérito policial ainda está em andamento e que, neste momento, é prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o mérito" (leia na íntegra ao final do texto).
Entenda o caso
O resgate ocorreu na sexta-feira (21) pela Companhia de Policiamento Especializado (CPE). O homem deve responder pelos crimes de sequestro e porte ilegal de arma de fogo.
De acordo com a Polícia Militar, a família havia informado o desaparecimento da jovem na segunda-feira (17), quando ela foi vista por uma câmera de segurança saindo de uma clínica no bairro Jardim Barragem I.
Segundo a PM, na sexta-feira (21), o suspeito dirigia um carro quando desobedeceu a uma ordem de parada e fugiu em alta velocidade. Ele foi abordado no Setor Jardim Querência, onde precisou ser contido pelos policiais.
Durante as buscas, a polícia identificou uma casa no Setor Jardim América III que havia sido alugada por Ailton poucos dias antes. O imóvel estava fechado e protegido externamente. Após ouvirem ruídos vindos do interior da residência, os policiais entraram no local.
Em um dos quartos, os militares encontraram a jovem amordaçada, com as pernas, os braços e o pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente. De acordo com a PM, ela apresentava dificuldades para respirar porque estava com uma máscara no rosto.
Durante o resgate, uma carta foi encontrada com a assinatura de Tamara, escrita em uma folha de caderno e endereçada à família dela. No texto, são mencionados bens, como um carro e a escritura de uma casa em seu nome, e faz um alerta: "Leia com atenção, não chame a polícia".
"Mamãe, vai ver um advogado ai para levar os papéis do carro, casinha, todos no meu nome. O Aliton vai deixar um valor de 30-50 mil", diz outro trecho da carta.
Ao g1, o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Águas Lindas de Goiás, afirmou que a análise inicial indica que Tamara foi obrigada a assinar a carta. Segundo ele, a polícia acredita que o texto tenha sido escrito próximo à data do resgate. "Ele já estava andando com essa carta na hora da abordagem, tava no bolso dele", disse.
Pedido de medidas protetivas negado
Ao g1, a delegada da Delegacia da Mulher de Águas Lindas de Goiás, Tamires Teixeira, informou que, em 2020, a jovem havia solicitado medidas protetivas após sofrer ameaças. As medidas foram deferidas na época, mas, posteriormente, ela reatou o relacionamento com o suspeito, e o processo foi arquivado por extinção da punibilidade.
No entanto, em 2026, ela fez novas denúncias contra ele. Segundo a delegada, a jovem relatou diversas situações em que ele estaria supostamente a perseguindo. Entre os casos, estão a retirada do parafuso do pneu do carro dela e pichações no muro da residência. Em uma situação mais recente, ela procurou a delegacia e contou que sofreu queimaduras pelo corpo após abrir o chuveiro. A polícia recolheu uma amostra da água levada por ela e a encaminhou para perícia.
O novo pedido feito por Emiliane Tamara foi negado. "O Poder Judiciário realmente indeferiu a medida porque entendeu que não havia elementos para um nexo entre essas condutas para se imputar ao autor", destacou a investigadora.
"Ele é muito manipulador. Hoje a gente consegue entender, que ele fazia tudo de forma muito meticulosa, de forma muito perspicaz para que não conseguisse chegar até ele e ter essa autoria definida. Tanto que as medidas foram indeferidas", ressaltou.
A vítima foi casada com Ailton Rodrigues por seis anos e se separou dele em dezembro de 2025. Em entrevista à TV Anhanguera, ela contou que o homem chegou a soltar os parafusos das rodas do carro dela na tentativa de provocar um acidente, por não aceitar o fim do relacionamento. O ex-casal tem dois filhos.
“Ninguém nunca olhou pra mim, mesmo eu falando ‘gente, ele vai me machucar’. Ele soltou as rodas do meu pneu para eu capotar e morrer e ninguém nunca me ouviu”, disse a jovem.
À TV Anhanguera, a jovem relatou que o ex-marido é um homem perigoso. Segundo ela, Ailton dizia que, se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém: "Sempre deixou isso muito claro".
Nota da defesa de Ailton Rodrigues Mendes
A defesa ressalta que o inquérito policial ainda está em andamento e que, neste momento, é prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o mérito. Nem tudo o que vem sendo divulgado corresponde, necessariamente, à realidade dos fatos.
Embora não se possa afastar a gravidade do ocorrido, a defesa acredita que, após a conclusão das investigações e a correta individualização das condutas, ficará demonstrado que os fatos atribuídos ao investigado não possuem a extensão que vem sendo divulgada.
A defesa acompanha todas as diligências e confia que a verdade será esclarecida no momento oportuno, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Fonte: G1
Karoline
Foto: Reprodução/New York Post

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