A safra brasileira de soja pode registrar perdas de até 12 milhões de toneladas sob efeito do El Niño, em um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015. A estimativa foi apresentada na quinta-feira (10) por Alexandre Mendonça de Barros, sócio de Agronegócio da EY, durante videocast promovido pelo BB Seguros e pelo Banco do Brasil (BB).
Segundo Mendonça de Barros, a projeção leva em conta os ganhos de produtividade acumulados desde 2015, combinados com a menor utilização de tecnologia e fertilizantes na atual temporada. O consultor destacou que o efeito do El Niño não é uniforme no país e tende a acentuar diferenças regionais.
A Região Sul e áreas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul aparecem com menor risco de frustração de safra, embora o excesso de chuva possa atrapalhar os trabalhos no campo. Já Centro, Norte e Nordeste concentram risco climático elevado de perdas. Nesse caso, o quadro é agravado pela maior participação relativa dessas regiões na área plantada de soja em comparação com dez anos atrás.
De acordo com o consultor, esse risco climático já começa a ser incorporado aos preços no mercado internacional. Ele afirmou que esse movimento ocorre em meio às perdas na safra de milho na Europa e às dúvidas sobre a produtividade nos Estados Unidos. Nesse ambiente, fundos de investimento voltaram a montar posições compradas em níveis recordes em soja, milho, trigo e algodão.
Na avaliação apresentada no videocast, compradores chineses também passaram a antecipar a demanda por soja para janeiro, elevando os prêmios de exportação no Brasil. “Minha impressão é que os chineses já viram que tem um risco de diminuir a oferta mesmo. Desde maio nós estamos vendo as posições aumentando”, disse Mendonça de Barros.
Para a comercialização da safra, a orientação varia conforme a localização da propriedade e o risco produtivo de cada área.
Mendonça de Barros recomendou cautela aos produtores de regiões com maior risco climático para evitar sobrevend a da produção. “Produtores de regiões de maior risco climático devem tomar mais cuidado, não sobrevender. Vender e não colher é talvez o maior problema que você pode ter”, afirmou. Para áreas com tendência climática melhor e bom nível de tecnologia, ele avaliou que já há espaço para montar alguma posição de venda diante da melhora nos preços.
Fonte: Estadão Conteúdo
Karoline
Imagem criada por inteligência artificial

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