Nesta quinta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analisa um recurso que pode suspender a proibição da caneta emagrecedora T36, produzida no Paraguai. O pedido está na pauta da agência e pode afetar diretamente brasileiros que cruzam a fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este para comprar remédios.
A T36 tem em sua fórmula a tirzepatida, mesma substância do Mounjaro, indicado para diabetes tipo 2 e controle de peso. Apesar de ser vendida no Paraguai, a marca está vetada no Brasil desde setembro por não ter registro na Anvisa.
O recurso foi protocolado pela empresa paraguaia Scavone Hermanos S.A., vinculada ao laboratório Catedral, que fabrica o produto. O pedido aparece na pauta oficial da 20ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada da Anvisa, marcada para quinta-feira, às 9h30, em Brasília.
O que pode mudar?
A empresa solicita o chamado efeito suspensivo, ou seja, que a proibição seja interrompida temporariamente enquanto o recurso administrativo segue em análise.
Se o pedido for aceito, as restrições à T36 poderão ser alteradas, conforme as condições definidas pela agência.
Uma decisão favorável, porém, não significa que o medicamento passará automaticamente a ter registro no Brasil nem que sua entrada pela fronteira será liberada. A possibilidade de importação para uso pessoal dependerá do alcance da decisão e das regras sanitárias aplicáveis.
Caso o pedido seja negado, a proibição permanece em vigor.
Por que a T36 foi proibida?
O veto foi determinado em 16 de setembro, por meio da Resolução nº 3.626/2026.
De acordo com a Anvisa, a T36 não tem registro sanitário no Brasil, ou seja, não passou pela avaliação exigida pela agência para comprovar qualidade, segurança e eficácia.
A decisão proibiu a importação, o armazenamento, a distribuição, a comercialização, a propaganda e o uso do medicamento em território brasileiro. A restrição também atinge pessoas físicas, impedindo que brasileiros tragam o produto do Paraguai para uso próprio enquanto a medida estiver valendo.
Quem compra a T36 no Paraguai pode trazer para o Brasil?
Por enquanto, não. Mesmo que o medicamento tenha sido comprado legalmente em uma farmácia de Ciudad del Este, a entrada no Brasil continua proibida. Isso vale inclusive para quem apresenta receita médica ou alega que o produto será usado apenas para tratamento pessoal.
Na fiscalização da Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu, medicamentos sujeitos à proibição podem ser retidos pelas autoridades brasileiras. A T36 tem autorização sanitária no Paraguai, mas esse registro não substitui a aprovação exigida pela Anvisa para circular no mercado brasileiro.
Qual é a diferença entre a T36 e o Mounjaro?
Os dois produtos se apresentam como medicamentos à base de tirzepatida, substância que atua no controle da glicose e do apetite. A principal diferença, do ponto de vista da fiscalização brasileira, é que o Mounjaro tem registro na Anvisa, enquanto a T36 não.
Isso não quer dizer que os medicamentos tenham a mesma qualidade, eficácia ou segurança. A avaliação de um remédio envolve diversos fatores, como composição, processo de fabricação, possíveis impurezas, estabilidade e condições de armazenamento. A Anvisa alerta que medicamentos sem registro nacional não passaram por todas as verificações necessárias para comprovar que atendem às exigências brasileiras.
Quando será anunciada a decisão?
A reunião da Diretoria Colegiada da Anvisa começa às 9h30 desta quinta-feira (29), com transmissão pelo canal oficial da agência no YouTube.
Apesar de o recurso da empresa paraguaia estar na pauta, a decisão não necessariamente será anunciada durante a transmissão. Pedidos desse tipo podem ser analisados por votação eletrônica dos diretores, em um procedimento chamado Circuito Deliberativo. Após a conclusão da votação, o resultado deverá ser divulgado nos canais oficiais da agência.
Foto: Reprodução

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