Detenta tenta enforcar policial com corrente de algemas e é morta a tiros dentro de viatura

Foto: Jornal Razão

Uma mulher de 32 anos, identificada como Daniela Gonçalves Carvalho, natural de Curitibanos (SC), morreu após tentar matar uma policial civil durante uma transferência de presos entre delegacias. O caso aconteceu por volta das 4h50 da madrugada desta quinta-feira (22), na BR-116, em Correia Pinto, na Serra Catarinense. A ocorrência foi registrada pela Central de Plantão da Polícia Civil de Lages.

Daniela foi capturada na noite anterior, por volta das 23h, no município de São Cristóvão do Sul, após a Polícia Militar ser acionada para atender uma tentativa de homicídio com uso de facão. No local, enquanto os agentes prestavam atendimento à vítima e realizavam buscas, Daniela se apresentou como testemunha da ocorrência.

Durante os procedimentos, os policiais identificaram que havia um mandado de prisão ativo contra ela pelo crime de roubo, com validade até 2035. Daniela ainda tentou evitar a prisão alegando estar grávida, mas exames médicos comprovaram que a informação era falsa. O laudo confirmou que ela havia passado por procedimento de laqueadura, o que impossibilitava uma gestação.

Ela foi encaminhada à Delegacia de Curitibanos, onde o caso foi formalizado. Após a lavratura do flagrante do outro preso envolvido na ocorrência do facão, os dois foram colocados em uma viatura para serem levados ao sistema prisional de Lages, conforme a logística adotada pelo governo estadual.

Ataque brutal dentro da viatura

Conforme depoimento da policial civil que dirigia o veículo, Daniela estava algemada no banco traseiro e apresentava comportamento inquieto e agressivo desde o início do transporte. Quando passavam pela BR-116, na altura do km 232, ela avançou contra a policial, utilizando a corrente das algemas para tentar estrangulá-la pelo pescoço.

O policial que acompanhava o trajeto no banco do carona tentou verbalmente impedir a agressão. Como a detenta não recuou e a situação envolvia risco direto à vida da colega e de todos os ocupantes da viatura, o policial sacou a arma e efetuou dois disparos contra a autora.

A viatura seguiu imediatamente para o Hospital de Correia Pinto, onde a morte da mulher foi constatada. A policial atacada foi socorrida sem ferimentos graves e passa bem, graças à rápida intervenção do colega.

Perícia e apuração

A Polícia Científica de Santa Catarina foi acionada para realizar os levantamentos periciais no local e no veículo. Além disso, a Polícia Civil de Lages instaurou procedimento investigativo para analisar a conduta dos policiais envolvidos, apurar os detalhes da ocorrência e verificar se todos os protocolos legais foram seguidos no momento da reação armada.

Segundo o boletim de ocorrência, o caso se enquadra como “pessoa morta em confronto com agente público em serviço”.

Impacto e logística penitenciária

O caso trouxe à tona as dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança no transporte de detentos em regiões mais distantes. Desde o fim de 2024, presos de cidades como São Cristóvão do Sul, Santa Cecília, Timbó Grande e Ponte Alta do Norte precisam ser levados obrigatoriamente para o sistema prisional em Lages, o que aumenta significativamente a distância dos deslocamentos.

Policiais civis relataram à reportagem que o novo modelo tem sobrecarregado o efetivo. São viagens longas, com até três conduções por dia, retirando viaturas e agentes das cidades de origem por várias horas, deixando comunidades vulneráveis e temporariamente sem policiamento.

O transporte que terminou em tragédia também levava outro detento, Elivelton Cardoso Volff, de 32 anos, preso por tentativa de homicídio na mesma noite. Ele estava no banco traseiro ao lado de Daniela e presenciou toda a ação.

Fonte: Jornal Razão