Kenny Rogers Gonçalves Anacleto, o vereador "Kenny do Cartório" de Guarapuava, cidade da região central do Paraná, foi condenado por dirigir bêbado, matar um idoso atropelado em uma calçada e tentar fugir após o acidente.
O caso aconteceu em dezembro de 2024, dias antes de ele tomar posse na Câmara Municipal. Uma câmera de segurança que fica próxima ao local registrou o acidente. As imagens mostram que, após atropelar o idoso, o carro atingiu um barranco e capotou. Assista acima.
O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (22) e terminou com uma sentença de 7 anos, 5 meses e 24 dias de prisão, em regime inicial semiaberto. O vereador ganhou o direito de recorrer em liberdade e, por isso, permanece solto.
Na época do atropelamento, o político foi preso em flagrante, mas foi solto menos de 48 horas depois e respondeu a todo o processo em liberdade. Relembre detalhes mais abaixo.
Desde que assumiu o cargo de vereador, em janeiro de 2025, ele está exercendo a função na Câmara de Vereadores.
Agora, Kenny também foi condenado a pagar R$ 20 mil de indenização à família da vítima, José Maceno de Almeida, que tinha 82 anos.
A decisão foi tomada "levando em consideração o elevado grau de culpa do ofensor (pela imprudência demonstrada); a intensidade do sofrimento causado à vítima; as circunstâncias do fato (em local que permitia agir de maneira prudente com facilidade) e o caráter repressivo e pedagógico da reparação diante das condições financeiras do acusado (vereador)", conforme aponta a sentença.
Em nota, o advogado Marinaldo Rattes, que atua na defesa do vereador, contesta que Kenny Rogers estava embriagado e afirma que vai recorrer da sentença.
"Não há provas da embriaguez ao volante; o termo de constatação apresentado pelo polícia militar, possui erros grosseiros de falsidade, tanto é verdade que a própria magistrada acolheu o pedido da defesa para abertura de inquérito policial para apurar a falsidade da assinatura no referido documento apresentado pelos milicianos. Portanto, partindo dessa premissa o recurso de apelação irá pautar-se no afastamento da embriaguez na condução do veículo, o que poderá alterar o quanto da pena imposta. Entre outras teses defensivas que não foram acolhidas pelo Juízo de primeiro grau. Ademais, é escorreita a decisão que concedeu o direito do acusado recorrer em liberdade da sentença condenatória".
Os assistentes de acusação Rafael Xalão, Allan Quartiero e Jair Gavio consideram que a condenação do vereador Kenny Rogers foi "justa e célere".
"As provas que foram produzidas demonstram a culpa inescusável, bem como, uma sentença sólida em seus fundamentos, demonstrando que a justiça alcança a todos sem qualquer distinção. A sociedade de Guarapuava recebe da prestação jurisdicional impecável, ficando evidente que o Ministério Público e a assistência de acusação não mediram esforços para que a aplicação da lei penal foi plena e irreversível".
Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Kenny Rogers estava dirigindo embriagado, em alta velocidade e com a CNH cassada, quando avançou na calçada e atingiu José Maceno de Almeida, de 82 anos. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
Segundo relato da PM, dois delegados da Polícia Civil que estavam de folga passaram pelo local do acidente e viram o veículo capotado na pista e o idoso caído no chão.
"Um homem, com vestes desarrumadas e sinais de sujeira, foi visto entrando em outro veículo próximo ao local do acidente, aparentando ser o motorista do carro capotado e tentando fugir", complementa o relatório.
De acordo com a polícia, o carro no qual Kenny estava entrando para tentar fugir era o de outra vereadora da cidade. Ela fechou um acordo com o MP-PR para não responder criminalmente pelo caso.
Fonte: G1
Foto: Samu

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