Justiça condena homem a 123 anos, por abusar as duas filhas causa indignação

Imagem: Arquivo/CATVE

Um homem de 55 anos foi condenado a 123 anos de prisão em regime fechado, em primeira instância, pelos crimes de estupro contra as duas filhas biológicas, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Segundo a acusação, os abusos ocorreram por ao menos oito anos. O processo tramita desde 2021.

Em entrevista ao Catve.com nesta sexta-feira (30), o advogado das vítimas, Rafael Jacson da Silva Hech, destacou a gravidade do caso e a sentença considerada exemplar.

"O que mais nos chama atenção nesse caso, além dessa pena elevada, é o fato de que a filha mais velha, hoje com cerca de 20 anos, engravidou em decorrência dos abusos. Ela tem uma criança que é filha do próprio pai", afirmou.

A filha mais nova, atualmente com 16 anos, não engravidou. As investigações tiveram início após a descoberta da gravidez da filha mais velha, quando as vítimas relataram que os abusos aconteciam principalmente nos momentos em que a mãe se ausentava de casa.

De acordo com o advogado, os crimes teriam começado com toques, exposição a material pornográfico e, posteriormente, evoluíram para os abusos sexuais. A paternidade da criança foi confirmada por exame de DNA, anexado ao processo.

"A gente tem muita confiança na sentença que foi proferida pelo juízo", disse Hech. Ele ressaltou que casos de abuso no ambiente familiar são mais comuns do que se imagina e orientou que vítimas ou familiares procurem a polícia e um advogado de confiança. Segundo ele, a reunião de provas é fundamental para evitar injustiças ou interpretações equivocadas dos fatos.

O caso foi revelado à mãe das adolescentes após as filhas fugirem de casa, quando o crime veio à tona. A sentença foi proferida pela juíza Raquel Fratantonio Perini, do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cascavel.

Apesar da condenação e da gravidade dos crimes, o homem responde em liberdade e pode recorrer da decisão também em liberdade. Um mandado de intimação pessoal foi expedido, mas ainda não havia sido cumprido até o fechamento desta reportagem. O condenado não é considerado foragido e não é procurado pela polícia.

A identidade do réu não será divulgada para preservar as vítimas.

O advogado também alertou que mudanças bruscas de comportamento podem ser sinais de abuso e reforçou a importância de atenção e diálogo com crianças e adolescentes.

O Catve.com tenta contato com a defesa do condenado, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Fonte: CATVE