Um estudo divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) aponta que a redução da jornada semanal na indústria, sem diminuição de salários, pode gerar um impacto significativo nos custos do setor. A pesquisa considera a substituição da escala 6×1 por modelos com menos horas trabalhadas.
Segundo o levantamento, caso a carga horária seja fixada em 36 horas semanais, o aumento anual de despesas poderia chegar a R$ 178,8 bilhões, representando uma elevação de 25,1% na folha de pagamento. Em um cenário intermediário, com jornada de 40 horas por semana, o acréscimo nos custos variaria entre R$ 58,3 bilhões e R$ 87,5 bilhões, com aumento de 7,4% a 11,2% na mão de obra.
Atualmente, cerca de 80% das empresas do setor operam com 44 horas semanais no regime 5×2. A Abimaq alerta que a redução da carga horária sem ajuste proporcional de salários pode afetar a formação de preços e a estrutura de custos das companhias. “Qualquer redução na jornada semanal terá um impacto enorme, reduzindo drasticamente nossa competitividade, aumentando os custos de produção, o que levará a aumento dos preços, à demissão e até mesmo ao fechamento de algumas empresas que não vão conseguir arcar com custo maior e produtividade menor”, afirma o estudo.
O levantamento também compara a situação brasileira com outros países. Na União Europeia, a jornada média varia entre 36 e 40 horas semanais, com ajustes negociados entre empregadores e trabalhadores. No Brasil, a legislação permite até 44 horas por semana, e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a média efetiva de horas trabalhadas é inferior ao limite legal.
A pesquisa ainda aponta que a produtividade média por trabalhador entre 1981 e 2024 cresceu apenas 0,2% ao ano. Entre julho de 2024 e junho de 2025, foram firmados 6.192 instrumentos coletivos com cláusulas relacionadas à jornada, equivalentes a 28% do total, reforçando a importância da negociação coletiva no tema.
Fonte: Ric.com.br
(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

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