Os Estados Unidos retiraram, na semana passada, a proibição para a importação de petróleo russo. A decisão atinge em cheio o Brasil. O que era um “oceano azul” de diesel barato e abundante para o Brasil tornou-se uma arena de disputa contra o maior comprador do mundo.
Em 12 de março, após o início da guerra no Irã, o Departamento de Tesouro dos EUA retirou a sanção ao setor de óleo e gás da Rússia. A medida reverte uma das principais punições de Washington a Moscou após o início da guerra na Ucrânia.
O objetivo é claro: ampliar a oferta de combustíveis no mercado doméstico norte-americano e frear a inflação que castiga o eleitor de lá.
A medida, porém, atingiu em cheio o Brasil. E, no jargão do setor, o termo que voltou a ser ouvido é washout.
A palavra explica a decisão que grandes tradings e vendedores tomam diante da mudança repentina de preços. Com os navios navegando nos oceanos, essas empresas avaliam as cotações em tempo real e os valores dos contratos fechados com os brasileiros e fazem uma conta.
O que é mais lucrativo? Pagar a multa contratual com os brasileiros e desviar a carga para os EUA ou entregar o produto no Porto de Paranaguá, Santos ou Suape? A depender da resposta, a rota da embarcação muda imediatamente.
E, nos últimos dias, seis embarcações que deveriam trazer combustíveis para o Brasil foram desviadas para outros compradores que topavam pagar mais.
O mercado de petróleo funciona como um sistema de vasos comunicantes. Quando Washington fechou a torneira para a Moscou, o excedente escorreu para mercados que aceitavam o risco das sanções em troca de descontos pesados e o Brasil foi um dos grandes beneficiários.
E, assim, importadores brasileiros compraram nos últimos anos volumes recordes de combustível da Rússia com descontos que giravam em torno de 20% em relação à média internacional. China, Índia e Turquia foram outros compradores que aproveitaram o desconto.
Agora que a torneira foi reaberta para os americanos, o preço e a demanda equalizam por cima, pelo máximo imposto pela guerra.
Demanda crescente
Fonte: CNN
Foto: Getty Images

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