O caso da tentativa de homicídio registrada no último sábado, 5 de abril, em Cascavel, tem novidades após o depoimento do homem preso em flagrante e apontado pela vítima como autor dos disparos. Em interrogatório na Central de Flagrantes, o suspeito negou ter atirado na vítima, disse que estava em casa e afirmou não saber por que foi reconhecido como autor.
O caso já havia sido noticiado pela CGN, onde equipes policiais foram acionadas para a Rua Doutor Jarbas Poli, no bairro Floresta, e encontraram a vítima baleada com três tiros — um no tórax, um no braço direito e um na perna direita. O homem foi socorrido em estado classificado como “código 3” e encaminhado ao Hospital Universitário.
No interrogatório, o suspeito confirmou que conhecia a vítima e relatou que os dois tinham uma pendência ligada a um carro. Segundo sua versão, a vítima o ajudaria em uma obra e ficaria com o veículo para trabalhar recolhendo papel. Depois, ainda de acordo com o depoimento, o carro teria apresentado problemas e ele acabou arcando com um conserto que girou em torno de R$ 1 mil.
Esse ponto dialoga com o que já aparecia no boletim de ocorrência, mas com diferença de valor. Conforme o BO, a vítima contou aos policiais que trabalhava em uma construção para o suposto atirador, recebeu um automóvel como parte do pagamento, bateu o veículo e depois passou a ser cobrada pelo conserto, estimado em R$ 1.800. A vítima também confirmou à polícia quem seria o autor dos tiros.
O que o depoimento traz de novo
No depoimento, o suposto autor dos disparos admitiu que houve conversa com a vítima e também cobrança sobre o conserto do carro, mas negou ter feito ameaças. Disse que apenas falou que ele precisava pagar o reparo e afirmou que a vítima estaria alterada naquele momento.
Ao ser confrontado com a informação de que a vítima o reconheceu com detalhes no hospital e que outra testemunha teria relatado uma cena anterior entre os dois, o suposto autor manteve a negativa. Também negou possuir arma de fogo e negou ter efetuado tiros para o alto. Questionado sobre eventual apelido, respondeu que é conhecido pelo mesmo apelido citado pela vítima no boletim.
O depoimento confirma a existência de um vínculo anterior entre suspeito e vítima e reforça que havia uma cobrança financeira relacionada ao carro — ponto que já aparecia como possível motivação no registro policial. O que muda é que o investigado nega ter transformado essa cobrança em violência.
Entenda o caso
Segundo o boletim, a companheira da vítima relatou aos policiais que o casal havia consumido bebida alcoólica durante a tarde e apontou o detido como possível autor. Depois, no hospital, a própria vítima afirmou à equipe da Delegacia de Homicídios quem teria sido o responsável pelos disparos. Ainda de acordo com o documento, os policiais fizeram buscas, mas não encontraram cápsulas no local.
Um detalhe importante do BO é que o documento mistura dois marcos temporais: o atendimento policial foi formalmente registrado à noite, a partir das 20h11, mas o relato da vítima menciona uma cobrança feita ainda por volta das 16h. Esse ponto ajuda a entender que a investigação ainda precisa esclarecer com precisão a sequência dos fatos, inclusive o intervalo entre a discussão e o momento em que os tiros foram disparados.
Prisão em flagrante e enquadramento
Ao final do interrogatório, o delegado plantonista informou que estava ratificando a prisão em flagrante do homem pelo crime de tentativa de homicídio qualificado, citando, em tese, recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo torpe ou fútil, circunstâncias que ainda deverão ser aprofundadas na investigação.
O depoimento do suspeito acrescenta uma peça importante ao quebra-cabeça: ele não rompe com a linha central da investigação ao admitir a cobrança e reconhecer a relação com a vítima, mas contesta frontalmente a autoria dos tiros. Para a apuração, isso desloca o foco para a prova material, para o cruzamento entre os relatos e para a verificação das testemunhas e demais elementos colhidos pela Delegacia de Homicídios.
Até aqui, o que há de concreto é que a vítima foi baleada, sobreviveu ao ataque e apontou formalmente o nome do suposto autor, enquanto o preso nega o crime e sustenta que estava em casa com a esposa e os filhos. A partir de agora, a consistência dessas versões e o conjunto de provas é que devem definir o rumo do caso.
Fonte: CGN
Foto: CGN

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