O psicólogo Pablo Stuart Fernandes Carvalho (foto em destaque), acusado de matar pelo menos 17 gatos, foi condenado a 9 anos de prisão, por maus-tratos de animais.
Pela gravidade dos atos cometidos pelo criminoso, a pena seria de mais de 46 anos de reclusão em regime fechado. A justificativa do juiz responsável pelo caso, no entanto, seria de que a pena tem que ser “proporcional, adequada e justa”.
“Cabe relembrar que não há nenhuma prova de que o réu tenha efetivamente matado algum felino ou que algum gato tivesse morrido em seu apartamento, até porque a Polícia Civil não pediu busca e apreensão, não diligenciou no apartamento do denunciado e também não acompanhou as cuidadoras quando solicitado”, disse o magistrado.
O caso veio à tona há pouco mais de um ano. Em 12 de março de 2025, a Polícia Civil recebeu denúncias de protetoras de animais que afirmaram que Stuart torturava até a morte os felinos. Ele chegou a ser preso no fim de março do ano passado, mas foi solto sete meses depois. O processo correu na 1ª instância, que agora definiu a condenação de Pablo.
O advogado de Stuart disse que acredita na inocência de seu cliente, e que ela “será devidamente demonstrada no momento oportuno, especialmente por ocasião das alegações finais, quando todos os elementos constantes nos autos serão analisados de forma técnica e criteriosa”.
Juliana Campos, integrante do grupo Justiça pelos Tigrados, disse que o grupo celebrou a decisão, mas que acredita que a Justiça ainda não foi feita. “Recebemos essa sentença esperançosos de que seja um primeiro passo, pois nós vamos recorrer. Já é uma vitória para a causa animal. Mas se a pena mínima para cada caso de maus-tratos é de 2 a 5 anos, que ele tivesse aplicado a pena mínima para cada gato. São 17 gatos, o que renderia 34 anos de prisão. E é por isso que nós vamos lutar e recorrer desta decisão”, disse.
Relembre o caso
Em 18 de março do ano passado, o Metrópoles revelou o caso de Pablo Stuart Fernandes Carvalho, 30 anos, psicólogo acusado de maltratar e matar diversos gatos.
Para além da crueldade, os crimes chamam a atenção porque absolutamente todos os felinos adotados por Pablo eram cinza e tinham pelagem rajada.
Pablo procurava protetores de animais pedindo para adotar os bichinhos. Um mês após uma adoção, ele inventava histórias para as doadoras afirmando que os bichos haviam sumido e pedia outro animal.
Ele conseguiu adotar pelo menos 20 felinos entre setembro de 2024 e março de 2025.
Após a divulgação inicial do caso, a maior dúvida era o que havia acontecido com os gatos. Depois, a investigação policial concluiu que Pablo matou quase todos os animais adotados — uma das cuidadoras conseguiu recuperar um deles.
Áudios obtidos pelo Metrópoles e depoimentos de vizinhos comprovaram o teor macabro das atitudes de Pablo: ele jogava os bichinhos contra a parede e os torturava com banhos indevidos no apartamento onde morava, no Gama.
Depois das primeiras denúncias e da repercussão do caso, Pablo foi preso pela PCDF em 25 de março de 2025. Dias depois, a Justiça converteu a prisão em preventiva.
O psicólogo passou por audiências na 2ª Vara Criminal do Gama em 18 de setembro e 9 de outubro. Na primeira data, a Justiça ouviu as testemunhas de acusação; na segunda, foi a vez de a defesa se posicionar.
A defesa do psicólogo recorreu da prisão, e a 2ª Vara Criminal do Gama aceitou o pedido de revogação da prisão preventiva em 30 de outubro de 2025.
O registro profissional de psicólogo de Stuart está cancelado.
Insanidade descartada
Laudo produzido pelo IML concluiu que Stuart apresenta perturbações de saúde mental, mas possui plena capacidade de entendimento e autodeterminação. Portanto, descarta a insanidade e determina que o homem tem, sim, consciência de seus atos.
O documento apontou que, à época dos fatos, o acusado tinha transtorno ansioso não especificado e transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso abusivo de estimulantes.
“Caso seja realmente o autor dos crimes a ele imputados, não houve nexo causal entre os crimes praticados e seus transtornos ansiosos ou decorrentes do uso de estimulantes, incluindo a cafeína”, afirmou o laudo.
Outro lado
Em nota, o advogado Diego Marques Araújo, que defende Stuart, disse que “recebeu com serenidade o pedido de condenação apresentado pelo Ministério Público”.
“Confiamos que, ao final do processo, prevalecerá a verdade dos fatos e será proferida sentença que reconheça a inocência do acusado, em estrita observância aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”, afirmou.
Fonte: Metropoles
Foto: Metropoles

0 Comentários