Casas Bahia anuncia demissões em massa após registrar prejuízo bilionário

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A Casas Bahia iniciou uma forte reestruturação com demissões em massa e o fechamento massivo de lojas. A decisão ocorre após trimestres consecutivos de prejuízos bilionários e faz parte de um plano emergencial para cortar despesas e tentar estancar a crise financeira da gigante do varejo.

Apenas entre esta quinta-feira (13) e sexta-feira (14), foram dispensados 1,9 mil colaboradores (sendo 600 na quinta e entre 1,3 mil e 1,4 mil na sexta), o que representa 6,7% do total de funcionários do grupo. Fontes do setor estimam que o número final de cortes pode chegar a 3 mil pessoas.

Fechamento de 28,7% das lojas do grupo

Além do impacto nos postos de trabalho, a rede determinou o fechamento imediato de 298 lojas nesta sexta-feira.

O encerramento representa 28,7% do total das unidades do grupo no Brasil (com base no total de pouco mais de mil pontos mapeados em março).

É uma das movimentações mais agressivas da história recente da varejista. Em gestões anteriores, os ajustes eram tímidos e dispersos, com fechamentos entre 20 a 30 pontos por ano.

O peso dos prejuízos nas contas da Casas Bahia

O cenário financeiro da companhia vinha dando sinais de forte pressão:

No primeiro trimestre, o prejuízo líquido foi de quase R$ 1,1 bilhão — mais do que o dobro registrado no mesmo período do ano anterior.

Em 2025, a perda consolidada não ajustada atingiu R$ 3 bilhões, o triplo em relação a 2024.

O endividamento das famílias brasileiras, a perda do poder de compra e a manutenção das taxas de juros elevadas sobrecarregaram o caixa da empresa com despesas financeiras.

Em 2024, a companhia chegou a entrar em recuperação extrajudicial para repactuar dívidas com bancos e converter debêntures em capital, amenizando a dívida líquida, mas sem conseguir estancar o prejuízo na linha final do balanço.

Atrasos em pagamentos e adiamento de balanço

Para coordenar a reestruturação e fechar os detalhes do plano que será apresentado ao mercado, a empresa adiou a divulgação do relatório do segundo trimestre da quarta (12) para esta sexta-feira (14). A teleconferência com investidores ficou agendada para o dia 17.

Em paralelo ao estresse financeiro, informações de mercado indicam que a rede enfrenta problemas operacionais e no fluxo de caixa, incluindo atrasos no repasse do PIX a lojistas parceiros do marketplace e negociações com a indústria para estender os prazos de pagamento de fornecedores.

Mesmo com retração nas lojas físicas (-1,8%) e no marketplace (-0,6%), o grupo apresentou alta de 6,4% na receita bruta consolidada do primeiro trimestre (R$ 8,8 bilhões), sustentado pelo canal digital próprio — impulsionado, em parte, por parcerias de vendas no Mercado Livre, que avançaram 26%. A margem bruta, porém, permaneceu estagnada em 30,3%.


Fonte: Nd Mais