Grãos: USDA promove poucas alterações nas estimativas de produção e estoques

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O relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) , divulgado nesta sexta-feira (11), traz poucas alterações para o cenário de oferta e demanda mundial de grãos. As mudanças mais significativas ocorrem no trigo.

A perspectiva global para o mercado do cereal em 2026/27 aponta para aumento da oferta, do consumo e dos estoques finais, ao mesmo tempo em que o comércio internacional deve registrar retração.

A oferta mundial foi revisada para cima em 3,5 milhões de toneladas, alcançando 1,1 bilhão de toneladas, impulsionada principalmente pelo aumento da produção em importantes países exportadores.

A estimativa para a produção global passou de 819,3 milhões para 822,4 milhões de toneladas. De forma semelhante, o USDA elevou os estoques finais mundiais em 3 milhões de toneladas, para 276,3 milhões de toneladas. O ajuste reflete principalmente o aumento das reservas na Rússia, Austrália e Ucrânia.

Entre os principais produtores, a Austrália registrou a maior revisão positiva. A projeção para a safra do país foi elevada em 3 milhões de toneladas. Na Ucrânia, a produção foi revisada para 26 milhões de toneladas, aumento de 600 mil toneladas em relação à estimativa anterior.

A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, também teve suas projeções reduzidas. A estimativa de produção passou de 88,5 milhões para 88 milhões de toneladas, enquanto a previsão de exportação caiu de 46 milhões para 43 milhões de toneladas.

De acordo com o USDA, as exportações de Rússia e Ucrânia foram revisadas para baixo em razão do ritmo mais fraco dos embarques em agosto. O órgão afirma que a guerra na região do Mar Negro continua impactando a logística de escoamento dos grãos.

Importações brasileiras de trigo

O departamento americano ainda espera que o Brasil importe 7,5 milhões de toneladas na temporada, e reduziu a estimativa de produção em 100 mil toneladas, para 6 milhões de toneladas. A Argentina, maior fornecedor brasileiro, por sua vez, teve sua produção elevada em 500 mil toneladas, para 21,5 milhões de toneladas, e deve enviar 15,5 milhões de toneladas ao mercado externo.

No lado da demanda, o consumo global de trigo foi elevado em 500 mil toneladas, para 826,8 milhões de toneladas. O aumento foi impulsionado pelo maior uso para ração animal e pelas chamadas perdas residuais, que mais do que compensaram a redução do consumo destinado à alimentação humana, sementes e uso industrial.

Soja

No que diz respeito à soja, o USDA manteve suas estimativas para a produção global, para o consumo e os estoques. Isso se dá porque a safra brasileira - a maior do mundo - está longe de ser definida. O plantio começa apenas no fim do ano e a intensidade do El Niño pode interferir na produção.

O relatório de oferta e demanda continua estimando a colheita brasileira em 186 milhões de toneladas, com estoque de 37 milhões de toneladas.

Nos EUA, segundo maior produtor mundial, a estimativa de colheita está em 123,42 milhões de toneladas, pouco mais do que as 123 milhões projetadas no mês passado.

A demanda cresceu 1 milhão de toneladas em 2026/27, segundo o USDA, para pouco mais de 191 milhões de toneladas. Assim, a estimativa de produção global é de 442,35 milhões de toneladas, com estoques considerados confortáveis em 124,02 milhões de toneladas.

Milho

Para o milho, as estimativas de produção e exportação globais ficaram praticamente inalteradas em 1,3 bilhão e 210 milhões de toneladas, respectivamente. Os estoques globais finais foram revisados para baixo, de 274,6 para 272,1 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, maior produtor global, a produção foi revisada para 401,3 milhões de toneladas, ante 406,7 projetados no mês anterior. As exportações permaneceram inalteradas em 83,1 milhões de toneladas. Por sua vez, os estoques finais foram projetados em 39,7 milhões de toneladas.

No Brasil a produção e estoques finais permaneceram inalteradas em 139 milhões e 10 milhões de toneladas, respectivamente. As exportações foram revisadas para baixo, a 43 milhões de toneladas.

A produção de milho está prevista para ser menor, com reduções na Índia, Quênia e Rússia, que são parcialmente compensadas por aumentos na UE (União Europeia) e em outros países.


Fonte: CNN