O fortalecimento do El Niño começa a interferir na dinâmica de oferta de gado no Brasil e pode se tornar um fator importante para o comportamento dos preços do boi gordo nos próximos meses. Segundo Beatriz Bianque, analista da Datagro, os efeitos do fenômeno variam entre as principais regiões produtoras, com seca mais intensa no Norte e maior volume de chuva no Sudeste.
Na Região Norte, o tempo seco tende a atrasar a terminação dos animais criados a pasto. Com isso, parte da oferta para abate pode ficar mais dependente de sistemas intensivos de terminação.
“A região Norte é claramente a mais afetada pelo clima seco, o que tende a atrasar a terminação a pasto e, eventualmente, fazer com que os abates dependam mais dos regimes intensivos de terminação”, explica Bianque.
No Sudeste, o cenário é diferente. O maior volume de chuva favorece as pastagens, mas também pode trazer dificuldades para as operações dos confinamentos.
“Isso tende a favorecer as pastagens, porém, na mesma medida, pode afetar as operações dos confinamentos, o que é uma condição de maior cautela e risco”, afirma.
Na região central do país, por sua vez, as condições climáticas permanecem relativamente próximas do padrão.
Chuva pode favorecer estação de monta
Além dos impactos sobre a oferta de animais terminados, a maior disponibilidade de chuva em algumas regiões pode antecipar e fortalecer a estação de monta.
Esse movimento ganha importância diante da transição do ciclo pecuário. Segundo a analista da Datagro, os indicadores de preços do gado de reposição e do bezerro vêm incentivando a atividade de cria, fator que também deve ser acompanhado pelo mercado ao longo do segundo semestre.
Em meio às mudanças provocadas pelo clima, os preços do boi gordo apresentam maior firmeza em setembro.
Na praça de referência de São Paulo, a arroba opera ao redor de R$ 350. Parte da sustentação vem das escalas mais curtas dos frigoríficos, que estão próximas de seis dias corridos na média brasileira.
A combinação entre menor disponibilidade imediata de animais e possíveis impactos climáticos sobre a terminação coloca a oferta entre os principais fundamentos a serem observados nos próximos meses.
China pode reforçar demanda pela carne brasileira
Do lado da demanda, o mercado interno mantém bom escoamento, segundo Bianque. O desempenho do mercado de trabalho está entre os fatores que ajudam o consumo, embora a desaceleração da atividade econômica já apareça como um ponto de atenção, principalmente para 2027.
No mercado externo, a perspectiva é de reforço da demanda nos últimos meses do ano, especialmente com a retomada das compras chinesas.
Os Estados Unidos também continuam tendo participação importante no escoamento da carne bovina brasileira. Para a analista, a diversificação dos destinos segue sendo fundamental para as exportações do setor.
Fonte: Canal Rural
Karoline
Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

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