Ventos de 124,9 km/h provocam estragos e destelham Catedral no Norte do Paraná

Foto: TNOnline

Um temporal com ventos de 125 km/h destelhou a Catedral Nossa Senhora de Lourdes e deixou um rastro de destruição na cidade de Apucarana, no Norte do Paraná, na noite desta segunda-feira (21). A tempestade severa, acompanhada de granizo, afetou entre 3,5 mil e 4,5 mil pessoas, segundo balanço parcial da Defesa Civil, e provocou um apagão que deixou mais de 40 mil imóveis sem energia elétrica apenas no perímetro urbano do município. De acordo com o balanço divulgado no início da tarde desta terça-feira (22), os estragos se estenderam por cerca de 20 bairros, comprometendo entre 950 e 1.000 residências e provocando a queda de 400 a 500 árvores.

Os fortes ventos, que atingiram a marca de 124,9 km/h às 19h15 segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), causaram danos severos em residências, prédios públicos e até igrejas. A Catedral Basílica Menor Nossa Senhora de Lourdes teve a estrutura do telhado arrancada, o que resultou na inundação do interior do prédio e no arremesso de pedaços da calha sobre a Praça Rui Barbosa.

No Parque Bela Vista, a Comunidade Nossa Senhora do Rocio também foi severamente castigada. O forro de PVC do teto da capela desabou sobre os bancos, espalhando imagens religiosas. Outros pontos da cidade, como o Shopping Centronorte e o Colégio Estadual Nilo Cairo, que teve um muro derrubado, também sofreram as consequências da ventania. Foram 17,8 milímetros de chuva em quinze minutos, mas acompanhados de fortes rajadas de vento. A prefeitura não descarta a ocorrência de um tornado, embora a hipótese ainda não tenha sido confirmada pelo Simepar.

A força do vendaval causou colapsos não apenas nas construções, mas em toda a infraestrutura da região. Segundo a Companhia Paranaense de Energia (Copel), 68 postes foram derrubados no Norte e Noroeste do estado, sendo 40 deles apenas nas áreas urbana e rural de Apucarana. O impacto também comprometeu linhas de distribuição e subestações em cidades vizinhas, como Califórnia e Marilândia do Sul. Além de Apucarana, Arapongas, Umuarama e Maringá figuram entre as cidades com maior desabastecimento. Para reverter o quadro, a concessionária montou uma força-tarefa com 72 equipes técnicas para atuar na reconstrução da rede elétrica, ainda sem previsão de normalização total.

O cenário de destruição gerou momentos de pânico entre os moradores. A moradora Natália Mazurok Cardoso relatou o medo constante após a queda de árvores de grande porte nas imediações de sua residência. Ela afirmou ter passado a noite em claro, orando e temendo que a estrutura de sua casa fosse esmagada. Segundo Natália, a comunidade solicitava a remoção daquelas árvores há cerca de dez anos devido ao estado de deterioração dos troncos, e agora implora para que o poder público retire emergencialmente uma terceira árvore que ficou inclinada em direção ao seu imóvel. “Fiquei orando a noite toda com medo de dar outra árvore cair, porque se ela caísse, ia cair em cima da minha casa. Foi uma coisa muito horrível, muito estralo, muito poste caindo, árvore. Estou até tremendo”, afirmou.


A filha dela, Alice Hultmann, também vivenciou a tensão, relatando que a família precisou correr para os fundos da casa para se proteger da barulheira. Alice contou que seu filho, de sete anos, teve uma crise de pânico e quase desmaiou de nervosismo em meio ao temporal. “Aconteceu uma barulheira muito forte, muito grande, e a gente pensou exatamente nessa cena que a gente está vendo aqui agora. Essas árvores, porque elas são muito grandes, são muito antigas também, e era esse o nosso medo”, contou.


Para amparar as centenas de vítimas, a Prefeitura de Apucarana, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e voluntários montaram uma força-tarefa imediata. Apenas durante a noite de segunda-feira, foram atendidas 620 pessoas no posto dos bombeiros e outras 360 no pátio de máquinas para a distribuição de um montante que chegou a 60 mil metros de lona plástica. A logística de socorro, no entanto, enfrentou barreiras tecnológicas, já que o temporal derrubou os sistemas de comunicação.

A entrega de lonas passou a ser feita exclusivamente de forma presencial, e a população precisou recorrer a números alternativos, como o (43) 3202-5624 para os Bombeiros e (43) 99967-0317 para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os reflexos da tempestade também paralisaram a educação, com a suspensão das aulas em unidades estaduais, como os colégios Polivalente, Cerávolo e Heitor Cavalcanti, além de instituições privadas e diversas escolas da rede municipal que tiveram suas estruturas prejudicadas.

O prefeito Rodolfo Mota (União) acionou a Defesa Civil estadual. “O mais importante neste momento é que não temos nenhum registro de vítima atendida pelo nosso Samu. Os telefones ficaram impossibilitados de funcionar, mas nossas equipes estão nas ruas. Temos uma demanda grande de lonas, destelhamentos e árvores caídas, e a prioridade é atender primeiro as pessoas em situação de risco, idosos, acamados e famílias que precisam de ajuda”, afirmou o prefeito Rodolfo Mota. Ele também orientou a população a evitar deslocamentos desnecessários.

Na tarde desta terça-feira (22), centenas de pessoas foram até o pátio da máquinas da Prefeitura para receber telhas por conta dos estragos nas residências.


Fonte: Tnonline