O proprietário de uma casa de repouso para idosos foi preso em flagrante na manhã de quinta-feira (5), no bairro Santa Quitéria, em Curitiba. A prisão ocorreu durante uma operação conjunta entre a Polícia Civil do Paraná (PCPR) e a Vigilância Sanitária, que constatou o funcionamento irregular do estabelecimento e condições precárias de higiene e segurança.
A ação foi desencadeada após o descumprimento contínuo de ordens administrativas. O responsável já havia sido intimado a encerrar as atividades do local e promover a desinstitucionalização dos idosos no prazo de 48 horas, mas optou por manter o asilo funcionando.
Durante a fiscalização, as equipes encontraram um ambiente insalubre que colocava em risco a saúde e a integridade física dos residentes. O local exalava um forte odor de urina e apresentava problemas estruturais, como piso escorregadio sem proteção antiderrapante, falhas na rampa de acesso e móveis desmontados com pregos expostos na garagem. Os alimentos também eram armazenados de forma inadequada.
As irregularidades se estendiam à área da saúde. Segundo o delegado Hormínio Lima, foram encontrados medicamentos psicotrópicos e controlados armazenados em um depósito externo, úmido e com mofo, sem controle ou receitas médicas. "Outros medicamentos estavam guardados na mesma geladeira utilizada para os alimentos, sem acompanhamento de farmacêutico ou responsável técnico habilitado", afirmou.
A polícia apreendeu ainda receituários médicos em branco, já carimbados e assinados por um profissional inscrito no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM-SP), e kits de autoteste de HIV retirados de uma unidade pública de saúde. O proprietário, formado em Direito e sem registro na área da saúde, confessou que pretendia aplicar os exames pessoalmente nos idosos.
O suspeito foi encaminhado ao sistema penitenciário e deverá responder por crime contra a saúde pública, exercício ilegal da medicina ou farmácia, maus-tratos, perigo à saúde do idoso e falsificação de documento particular. Os órgãos de assistência social e a Vigilância Sanitária estão acompanhando a transferência dos idosos para suas famílias. A PCPR não divulgou o nome da instituição.

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