A queda na produção de trigo no Brasil na safra atual deve fazer a importação do cereal bater recorde este ano, segundo analistas.
A Safras&Mercado prevê que o volume pode alcançar 8,9 milhões de toneladas, superando o recorde de 7,1 milhões de toneladas da temporada 2006/07. Em abril, a Safras havia projetado 8,2 milhões de toneladas. Na TF Consultoria Agroeconômica, a expectativa é de que as compras no exterior somem entre 6,5 milhões e 7,2 milhões de toneladas. Já a StoneX não vê recorde e estima a importação entre 6 milhões e 6,5 milhões de toneladas. A Conab prevê quase 7 milhões de toneladas.
A Argentina segue como principal exportadora de trigo para o Brasil, favorecida pela proximidade geográfica e pelo fato de fazer parte do Mercosul — o que significa isenção de imposto —, e pelos custos logísticos mais baixos.
No Moinho Herança Holandesa, em Ponta Grossa (PR), a importação de trigo deve girar em torno de 20% do que será processado, de acordo com Cleonir Vitório Ongaratto, gerente de negócios. Além de receber o trigo produzido pelos cooperados da Frísia, Castrolanda e Capal, assim como de outras origens do Paraná e de São Paulo, o moinho deve importar mais cereal da Argentina e do Paraguai.
Os moinhos também absorvem os custos maiores com matéria-prima de qualidade, embalagens e frete. Por isso, temos que sacrificar margens para permanecer vendendo.
— Cleonir Vitório Ongaratto, gerente de negócios do Moinho Herança Holandesa
Com capacidade de moagem de 12 mil toneladas/mês, o moinho tem no portfólio farinhas destinadas à indústria de panificação e padarias, além do varejo, e tem como mercado principal o Estado de São Paulo, seguido por Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Além da necessidade ampliar a importação, a qualidade do cereal nacional é outra preocupação no Moinho Herança Holandesa.
Segundo Luis Henrique Alves, especialista em originação do trigo da empresa, os eventuais efeitos do El Niño na colheita do trigo podem impactar não só a produtividade mas, principalmente, a qualidade do trigo. “Esse é o principal desafio da indústria, que precisa manter o padrão na farinha, sem apresentar variações no produto final”, afirma.
Segundo o analista da Safras& Mercado Elcio Bento, a preocupação não é com abastecimento, mas com os custos maiores da importação. “Faltar trigo não falta, há alternativas no mercado internacional. A grande questão é o preço que o trigo importado chegará ao Brasil, e esse custo vai definir o preço interno”, avalia.
Fonte: Globo Rural
Karoline
Foto: Arquivo pessoal

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