De acordo com investigadores, os celulares roubados em São Paulo como em assaltos do chamado “quebra‑vidro” seguem, em grande parte, para pontos específicos de receptação no centro da cidade. Esses locais ficaram conhecidos justamente por concentrar aparelhos furtados ou roubados que são revendidos ou desmontados.
Dois anos após uma grande operação policial, investigações voltaram a apontar um prédio na região Central de São Paulo, como um dos principais polos desse comércio ilegal. O local foi informalmente chamado de “ninho do celular roubado”.
Foi para essa região que acabou indo o celular de Júlia, roubado em plena luz do dia na Baixada do Glicério. O ataque aconteceu numa quinta-feira, por volta das 14h40, enquanto o carro da família aguardava no trânsito, a poucos metros de uma base da Polícia Militar.
O marido dela, que estava no banco do passageiro, ficou ferido pelos estilhaços. O celular levado era a principal ferramenta de trabalho da família.
Segundo o relato, os policiais orientaram o registro de boletim de ocorrência, mas os suspeitos já haviam fugido por becos da região. Nenhum aparelho foi recuperado.
Medo constante
Motoristas de aplicativo relatam viver sob tensão constante. Xênia, que trabalha dirigindo pelas ruas da capital, teve o carro atacado duas vezes em menos de 24 horas.
“Quebraram o vidro da frente num dia e o de trás no outro. Levaram meu celular. Foram mais de R$ 2 mil de prejuízo”, afirmou.
Hoje, além de redobrar a atenção, ela e outros motoristas usam aplicativos de navegação para alertar, em tempo real, sobre pontos considerados perigosos. Símbolos de alerta se multiplicam nos mapas, indicando locais onde há registros frequentes de assaltos e quebra de vidros.
“Você tem que estar alerta o tempo inteiro”, disse Xênia. “Não me sinto segura em lugar nenhum. Só em casa, com meus filhos.”
Na última semana, a Secretaria de Segurança Pública informou ter iniciado uma nova operação para tentar conter esse tipo de crime, com reforço do policiamento em áreas críticas, especialmente nos horários de pico e em dias de chuva, quando os congestionamentos facilitam a fuga dos criminosos.
Especialistas apontam que, enquanto houver mercado para celulares roubados, a prática seguirá se repetindo. O chamado “ninho do celular roubado” simboliza justamente essa engrenagem: o ponto final de um crime que começa em segundos, no meio do trânsito, e termina em corredores e lojas clandestinas no centro da maior cidade do país.
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